O Capital não Existe I
De tempos em tempos pode-se observar um antagonismo entre empregados e patrões. Enquanto aos primeiros os sindicatos chamam de "trabalhadores", aos segundos costumam chamar de "capitalistas", ou os que detêm o capital. A impressão que se pretende passar é que os primeiros trabalham e os segundos exploram os que trabalham. Mas o que é o capital: não é o fruto do trabalho de alguém que economizou e com isso conseguiu recursos para investir? Visto por essa óptica o "capital" não existe pois também é trabalho, só que trabalho convertido em poupança, ou seja o que há na realidade é trabalho, trabalho de diferentes níveis, que quando economiza o rendimento, converte-se em recurso para criar empresas que irão dar trabalho a outros tantos. A propósito deste tema González Pecotche em um artigo "O Capital não Existe" se expressa:
"Um dos problemas que mais se acentuaram neste século, e que tem sido motivo de grandes preocupações para os governos de todos os países do mundo, é o suscitado pela constante desinteligência entre o capital e o trabalho. Seria mais exato dizer -porque, a rigor da verdade, isto é o que acontece- que existe uma animosidade crônica e um constante estado de sublevação mental nas massas operárias, que representam o trabalho, contra os chamados patrões, que comumente se designam com o nome de capital."
"Para aquelas, é crença feita carne que elas representam o trabalho e são exploradas pelos que manejam o capital. E de tal crença parte o erro que dá base a todos os conflitos que se suscitam na engrenagem das finanças e das economias, na qual entram em jogo os interesses de uns e outros."
"Pareceria incrível que legisladores e homens habituados ao trato das questões sociais e, particularmente, a elucidar temas relacionados com as situações trabalhistas e os desdobramentos do capital, não hajam podido focalizar este problemas em seu aspecto essencial, discriminando, para o melhor e mais claro entendimento de todos, o que significa ou deve significar cada atividade humana e como deve ser julgada na estimação de sua compensação."
"Analisando as perspectivas que cada homem, de seu posto de trabalho e de luta, nos oferece, tem-se de chegar à conclusão de que o capital, como tal, não existe e que, em vez disso, temos em sua substituição o que poderíamos denominar trabalho superior. O que anteriormente se chamava trabalho deve denominar-se trabalho inferior."
"Vejamos, agora, o estudo que ilustrará o leitor sobre a razão pela qual fundamos esta apreciação."
"Comecemos por deixar bem estabelecido que, não sendo vedado a ninguém poder ser ou ter o que são ou têm aqueles que pareciam ser os mais afortunados, fica de fato o caminho livre para as aspirações de todos. Entretanto, tenhamos aqui presente que, embora a mente de cada ser humano tenha sido feita sem variações, o que significa que todas foram dotadas de idêntico mecanismo, no correr do tempo, enquanto as mentes de uns foram evoluindo desde os primitivos estados da espécie hominal até alcançarem depois, pelo cultivo da inteligência e da educação que se foi acentuando de geração em geração, as mais proeminentes colocações no seio da sociedade humana, as de outros, que no fim das contas foram a maioria, se atrasaram a tal ponto, que, confrontados dois homens correspondentes a cada uma destas posições descritas, dariam a impressão de que um, aquele cuja mente se encontra em melhores condições e, até se diria, sincronizada com o ritmo do progresso, vivesse em nossa época, ou seja, nos anos que estamos vivendo, ocorrendo que o outro, a julgar por sua incapacidade e inferioridade de condições intelectuais, estaria vivendo ainda nos séculos passados ou, pelo menos, com muito atraso em comparação com o outro."
"Não obstante, cada um em sua esfera de ação obtém o que lhe é dado obter conforme suas aptidões e o comportamento que observa no ambiente de suas atividades e da necessária convivência social."
"Os que se encontram em inferioridade de condições pelas razões expostas, de cuja situação não se pode admitir que se culpe aos que os avantajam, formam as legiões de trabalhadores rudes que aplicam no desempenho de suas ocupações, o mínimo de inteligência, pois para facilitar-lhes essas tarefas, os de maior capacidade põem sua inteligência a serviço do aperfeiçoamento dos mecanismos que logo hão de mover quase automaticamente os braços daqueles."
"Este trabalho inferior, que corresponde aos chamados operários e empregados de rotina, é compensado na medida do que cada um produz como esforço pessoal (entenda-se bem isto porque tem para o que estamos tratando uma importância capital), pois não se pode estimar de acordo com o resultado produzido, já que este é conseqüência do produto, da inteligência posta a serviço do operário para que este possa desempenhar-se em suas funções de tal."
"O trabalho superior, o que responde à inteligência, é o dos operários que sem ostentação do suor de suas frontes e sem esconder sob seus olhares um ressentimento injusto, como se adverte nas classes operárias, trabalham sem descanso, sem medir as horas e consagrados inteiramente às tarefas a que se dedicam. Estes são os que multiplicam o rendimento da mão de obra e os que sabem administrar o produto desse trabalho convertido em capital, fazendo que este aumente progressivamente até cifras imponentes."
"Não há que esquecer aqui, que o operário de alta categoria, como seria o compreendido nesta última menção, é o chamado patrão, incluindo também a administradores, gerentes e altos chefes do comércio e da indústria, cada um, naturalmente, situado em sua escala e importância respectiva, conforme as responsabilidades que assume nos postos diretivos."
"O capital em si, visto desde a realidade que enfocamos, não existe, pois é só o nome que toma o produto do trabalho da categoria de operários que acabamos de mencionar. Insistimos na palavra operário, porque as massas proletárias só admitem ser elas as únicas que podem ostentar esse nome e representar o trabalho; e não é o proletariado o único que tem essa crença; os legisladores, homens de governo, políticos, etc., o admitem também, e, em geral, é de aceitação comum tal designação. Porém é porque a ninguém ocorreu pensar que só existe o trabalho como fato certo e que este se divide em duas partes: o superior, que tomou o nome de capital, e o inferior, ao que erroneamente se lhe deu a denominação de trabalho, em forma global."
"Se os homens capacitados se detivessem a julgar esta verdade que estamos pondo de manifesto, imediatamente estariam de acordo em que o único labor digno de estimar-se, segundo a aceitação corrente, é o do trabalho inferior, o do obreiro que efetua tarefas rudes, e que as faz porque não está capacitado para empreender trabalhos de índole superior, e, em troca, deixa de estimar-se como trabalho o que realiza a classe superior de operários, que usa em proporções máximas a inteligência em vez de utilizar, como no caso do operário comum, os braços, cuja ação é mecânica e sempre dirigida pela inteligência dos outros."
Escrito por Fernando às 12h19
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O Dia D.
Faz hoje 60 anos que ocorreu o desembarque aliado nas praias da Normandia, episódio que marcou o início do fim para o III Reich, livrando o mundo de uma ideologia cruel e desumana, que pretendia submeter o gênero humano à vontade de uns poucos. Felizmente, a humanidade reagiu, e embora com pesadas perdas, pôde impedir que tais pensamentos se alastrassem pelo globo, começando pela libertação de Paris e da França. Em 1942, quando esta caiu sob o jugo nazista, Raumsol, assim se expressou na Revista Logosofia de novembro/1942, profetizando sua libertação pelos exércitos aliados:
A Hora Crucial da França
Não é senão com o mais profundo pesar, que a humanidade que reside em todos os países do mundo amante da cultura, da liberdade e do direito, contempla nestes momentos a hora crucial que vive a França, a grande pátria dos próceres ilustres que deram ao mundo os mais dignos exemplos de abnegação e sacrifício, de épicas proezas e proverbiais gestos de almas grandes e espíritos seletos.
França! Hoje que cais prostrada e sem forças para defender-te; que cais vítima do descuido imperdoável de teus filhos que desde faz quatro lustros assumiram a direção de teus sagrados interesses, o mundo inteiro se estremece de emoção e chora teu infortúnio.
França, França imortal! Tu que destes tantos filhos gloriosos, também engendraste filhos miseráveis que não souberam honrar a herança de seus maiores e te entregaram manietada às fauces insaciáveis do quebrantamento moral, do saque, da pilhagem e da desolação.
França! Se teus governos foram maus, se teu povo se perverteu, tu não és o que é circunstancial. Teu nome não pode nem poderá jamais apagar-se porque está escrito no coração de toda a humanidade. Tu não hás de morrer nunca, ainda que necessites para tua expiação e ressurgimento, que pereçam os franceses que te desonraram.
França! Hoje que vives a hora mais crítica e funesta de tua história, escuta o que diz a própria voz de tua glória: Serás a Fênix que ressuscitará de entre as cinzas que queimaram a escória que serviu para humilhar tua memória imortal.
A realidade tocou as fibras dormidas daqueles de teus filhos que hoje, envergonhados, buscam restaurar-te com toda a dignidade que mereces, aos olhos do mundo. Porém quiçá, mais que teus próprios filhos de hoje, sejam os que buscam restituir-te a teu sítio soberano, aqueles bons amigos irmanados em teus ideais de paz e liberdade. Eles te salvarão e tu voltarás à vida, pese à obstinada cegueira dos que mancharam teu nome e te mantêm encadeada à rocha da escravidão e do suplício.
Raumsol
O dia D, marcou o avanço final que culminou com o fim da II Guerra Mundial, tornando proféticas as palavras acima, que nos mostram também o lugar que a França ocupa no coração dos seres humanos.
Escrito por Fernando às 17h53
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