Difusão
Domingo passado, durante um almoço em família, uma sobrinha relatou que estava fazendo uma pesquisa sobre a questão: “O Brasil foi descoberto pelos portugueses ou foi invadido por eles?” Em sua turma de escola havia dois grupos de alunos: os que advogavam pela tese da descoberta e o dos que consideravam ter havido uma invasão. Pensei um pouco e disse a ela que para mim o Brasil fora descoberto pelos europeus já que tudo que é desconhecido é como se não existisse e que a Europa não conhecia a existência do Brasil, pelo menos sua existência não fora avalizada por nenhum registro oficial. Porém, o fato mais importante, a meu ver, era se um povo tem o direito de ocupar terras já habitadas por outros, mesmo que primitivos. Caso isso estivesse correto então, países mais avançados poderiam se julgar no direito avanças sobre outros mais primitivos. Refletindo sobre a questão, tomando como ponto de partida, como sempre procuro fazer nesse “blog” , os ensinamentos do criador da Logosofia, dados de diferentes maneiras, fiz a seguinte reflexão: “Se um povo tem uma cultura superior a outro, que ocupa terras às quais acaba de chegar, deve aguardar o tempo que for necessário para que esse povo se dê conta das possibilidades que a nova cultura abre para ele. Não é necessário impor o que julga certo, senão evidenciá-lo na prática”. A superioridade da nova cultura irá sendo comprovada na medida que ela for sendo difundida entre a nova população. Até hoje, não é isso o que temos observado, senão a imposição das novas formas de entender as coisas. Isso ocorreu com Alexandre, o Grande, ao impor a cultura grega ao povo persa, com os romanos sobre os povos que dominava e recentemente, com alguns países impondo o que consideram correto como democracia ao instituir o voto como forma de praticá-la, mesmo que o voto de um ser culto ou de um homem de bem valha o mesmo que o de um bêbado ou de um malandro.
Hernán Cortês, ao chegar ao México, deparou-se com a magnífica cidade de Tenochtitlan, maior que a maioria das capitais européias da época, erguida sobre um pântano no vale onde hoje se situa a cidade do México, capital da república de mesmo nome, e em vez de difundir a cultura que trazia, dominou pela força aos Aztecas que lá habitavam, cometendo, ao massacrá-los aos milhões, um genocídio, embora houvesse sido bem recebido. Uma cultura superior não faz isso senão, usando a força da inteligência e da sensibilidade, acaba por se impor por seus méritos frente aos novos povos e os terá como aliados e não como inimigos.
Com essas reflexões, voltando ao caso brasileiro, penso que os portugueses, embora não hajam cometido genocídio similar, impuseram pela força de suas armas, sua cultura aos povos primitivos que aqui habitavam. Isso só revela que, embora tivessem uma cultura mais aprimorada, distava muito de ser uma cultura superior ao necessitarem de usar a força física para impor seus pensamentos. Sob este ponto de vista houve uma invasão, que não o seria se tivesse havido “difusão” de novos conceitos que superassem os já existentes, sem qualquer necessidade de imposição.
Penso que esse mesmo princípio se aplica a outras situações. Por exemplo, uma empresa que quer entrar em um mercado já ocupado por outras, deve difundir seu produto conquistando os clientes, pela bondade do mesmo, por ter uma relação custo/benefício mais favorável e não por formas truculentas, que podem dar resultado em um primeiro momento mas que não criam alicerces estáveis para que o produto se mantenha no mercado.
De igual modo alguém que entra em uma empresa onde já existem outros profissionais ocupando postos importantes, deve ascender através de meios corretos evidenciando seu valor para a empresa em vez de usar métodos escusos para solapar colegas e obter posições de destaque.
Também no meio familiar, aquele que tem mais conhecimento não impõe ao cônjuge ou aos filhos, suas posições senão que os conquista com o conhecimento e o coração.
Escrito por Fernando às 15h05
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