Consciência


MOTIVAÇÃO RELIGIOSA DAS GUERRAS

Era ainda uma criança quando certa vez perguntei a meu pai por quê havia guerras, o que levava um país a guerrear contra outro, pois não entendia qual o objetivo das mesmas. Meu pai então, calmamente me explicou que o motivo era econômico. Um povo, querendo conquistar mais riquezas, conseguir fontes de matéria prima e outros recursos que havia em determinado país, buscava na guerra a forma de conseguir o que queria. Fiquei com essa explicação durante muito tempo e observei que muitos professores, jornalistas e autores diversos, também a adotavam como correta.

Na medida que amadurecia e que adquiria mais conhecimentos, pude constatar que, embora um país pudesse lucrar com alguma aquisição de território e riquezas, esse não era o motivo original. Vejamos, por exemplo o caso de árabes e judeus. Pode-se dizer que os judeus querem a guerra contra os árabes para ficarem com o seu petróleo pois sabemos que os grandes consumidores de petróleo são exatamente os povos que estão sob a influência de grupos judaicos ou são seus aliados. Porém, vejamos a questão por um outro ângulo. Apesar do estado de Israel estar rodeado de petróleo em terras árabes, Israel não produz uma gota sequer do ouro negro. Se Israel pretende ter o petróleo tomando-o dos árabes, gera-se uma contenta de difícil solução, como se geraria toda vez que alguém quer tomar pela força algo que outro possui. Porém se Israel aceita conviver pacificamente (não aparentemente, mas de fato) com o outro povo este irá observar que deve tratar bem seu maior cliente e que se o trata mal, se eleva o preço do petróleo a níveis abusivos, esse cliente (o mundo ocidental) tratará de buscar alternativas para sair dessa dependência (tal como já está acontecendo). Por outro lado, se existir equilíbrio de ambos os lados, todos irão lucrar e viver em paz e harmonia. Porém por quê isso não ocorre?

Tomemos três das principais religiões existentes hoje no mundo: cristãos, judeus e muçulmanos. Tais religiões, que contam com milhões de crentes, os levaram a professar conceitos que fomentam a intolerância. Umas dizem “Quem não está comigo está contra mim”, outra “Somos o povo escolhido de Deus”, e outra “Há que matar os infiéis”. Com tais pensamentos torna-se difícil conviver, não há disposição a tolerar o outro e os acordos não podem ser realizados. Por quê Israel não admite que árabes possam viver em seu território? E os árabes permitem e aceitam judeus nos deles? No mundo ocidental, também há muita intolerância mas a própria evolução histórica levou a que a mesma fosse contida.

Os peregrinos que chegaram à região onde é hoje os Estados Unidos, vindos da Europa, fugiam das perseguições religiosas daquele tempo, no continente europeu. Após se fixarem na Nova Inglaterra, estabeleceram algumas regras para que as colônias que se formaram não incorressem nos mesmos erros que os levaram a sair da Europa: No novo continente, todos poderiam professar o culto que quisessem, construir os templos que quisessem, porém antes de edificar um templo deveriam edificar pelo menos dez escolas (houve colônias em que o número de escolas deveria ser maior). Daí a enorme diferença entre o progresso alcançado pelos Estados Unidos e a América Latina onde ocorria o inverso (se edificavam primeiro os templos, depois, uma ou outra escola).

Essa experiência de tolerância trouxe um enorme êxito econômico e social ao país que se iniciava e penso que deve ser aperfeiçoada e aprofundada. Há alguns anos havia uma animosidade entre os alunos cristãos, judeus e muçulmanos nas escolas francesas (a França possui uma grande quantidade de muçulmanos devido a suas ex-colônias da África). Cada um comparecia à escola com seus respectivos símbolos: cruz, solidéu e burca (no caso das mulheres muçulmanas). O ministro da educação daquele tempo conseguiu que se aprovasse uma lei proibindo o uso desses símbolos e as escolas foram pacificadas.

Nas duas experiências relatadas observamos que quando se prioriza o conhecimento, os problemas vão sendo resolvidos e surge a disposição para tolerar as diferenças.

Outros exemplos de guerras temos entre a Irlanda protestante e a Irlanda católica, entre muçulmanos da Bósnia e povos da Sérvia, todas por motivação religiosa, de intolerância aos costumes e hábitos de cada povo.

Pensando nas conseqüências e horrores de uma guerra, que a cada dia conta com mais tecnologia para destruir, não vejo qualquer razão econômica que as justifique, senão o contrário. As economias marcham melhor quando há confiança, há cooperação, há nobres ideais.



 Escrito por Fernando às 18h09 [   ] [ envie esta mensagem ]




Remédios

Quando fazia curso de Marketing havia alguns colegas que trabalhavam com vendas para laboratórios farmacêuticos importantes. Relatou-me um deles que uma das estratégias que o laboratório utilizava era a chamada “close follow up”, que consistia em acompanhar as receitas dos médicos que receitavam os produtos daquele laboratório, para saber quem eram eles. Até há pouco tempo isso era feito através de um pequeno programa que várias farmácias possuíam onde o comprador do remédio informava o CRM do médico que o havia receitado, permitindo sua identificação. Parece que tal sistema não funcionou muito bem, seja porque as farmácias não utilizavam tal programa devidamente, seja porque os próprios pacientes não levavam as recitas na hora da compra. O fato é que nos últimos tempos, os laboratórios passaram a fornecer, a cada médico, um número telefônico 0800-XXX-XXXX a ser passado para o paciente a fim de que o utilizasse quando fosse comprar o medicamento com o estímulo de ganhar um desconto. Dessa forma o laboratório conseguia saber com mais precisão que médicos receitavam seus remédios. Aquele médico que comprovadamente receitava remédios do laboratório que utiliza essa prática, ao final de um certo período, passa a contar com passagens gratuitas para ele e seus familiares em viagens a congressos (naturalmente que os familiares vão a passeio) entre diversos mimos que recebem.

Esse tipo de prática trás inúmeros riscos para a população pois é um incentivo a que o médico receite, não o melhor remédio para seu paciente nem aquele que apresenta a melhor relação custo/benefício, mas sim o que lhe renderá (ao médico) os melhores presentes e atenções dos laboratórios. Corre-se até o risco de algum médico estar receitado um produto desnecessário ou mesmo inadequado para garantir alguma cortesia. Para que isso acabe penso que é necessário uma atitude de reprovação por parte de toda a população, dos Conselhos Regionais e Federal de Medicina e dos órgãos federais que se ocupam da vigilância da saúde e comercialização de remédios, utilizando para tal os meios já disponíveis e criando outros que se façam necessários, a fim de não permitir esses fatos. Uma forma de coibir tal prática é se fazer sorteios aleatórios algumas vezes por mês, em diferentes cidades do país, de CRMs de médicos que estejam clinicando naquele município e fazer uma cuidadosa inspeção das práticas utilizadas pelo mesmo. Caso se comprove que esteja distribuindo números 0800 ou outro recurso similar, a seus pacientes, de forma que o cliente, ao comprar um remédio, permita a identificação do médico que o receitou, o mesmo seria punido com pesadas multas o mesmo ocorrendo com o laboratório envolvido. Mediante a inspeção por amostragem,  (o sorteio deveria ser público para evitar desconfianças que determinados médicos não são inspecionados – sorteio do município e do médico, definindo-se um total de inspeções que variaria de acordo com a população de cada estado) o custo pode ser adequado ao caixa disponível e seria um forte desestímulo para o que estiver fazendo uso desses meios incorretos.



 Escrito por Fernando às 16h08 [   ] [ envie esta mensagem ]




Ano Novo de 2008

Começa mais um ano. Todos nós renovamos os propósitos de realizar mais do que conseguimos nos anos anteriores, fazemos planos traçamos estratégias, enfim, nos enchemos de estímulos com as novas possibilidades que a vida nos abre. Porém, é preciso saber conduzir esses propósitos a felizes realizações. Muitos dos planos realizados não chegam a culminar porque a mente se distrai com outros pensamentos e objetivos. Que nesse ano que se inicia não haja tantos objetivos a alcançar. Poucos e bem selecionados. Com isso a possibilidade de vê-los frutificar aumenta.

Fernando Kelles



 Escrito por Fernando às 21h04 [   ] [ envie esta mensagem ]






 

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Fernando, engenheiro, estudante de Logosofia, morador de Belo Horizonte, Minas Gerais.

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